sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

aMAR

"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que suponho
Seres um milagre criado só para mim."



Saudade de toda essa tranquilidade.. 
Desse tempo que é só meu.
Desse mar que se tornou tão íntimo, que me vi parte dele.
E do luar, que prateia o horizonte.

Júlia Rena

Encaixe

O vento me transmitia sensações exageradas, talvez pelos póros tão abertos. Tão dispostos a sentir.
Quando olhei para trás vi o passado, quando olhei para o centro o presente, mas quando olhei para frente, nada mais do que o incerto, do que o medo do que ficaria suspenso no tempo, o medo do que eu faria pela frente, e o desejo estranho de viver o que eu nem sei o que. E então vejo você, tão assim como eu. Meio medroso, mas ao mesmo tempo tão destemido, e penso também no que construímos, na seriedade que agora nos vimos e nos perdões imeios que lhe dei. Orgulho um pouco ferido, mas não me importo, sigo porque sei no que aposto, sigo porque ao seu lado sinto a veracidade do que sentes por mim e do que sinto também, sigo porque é cada vez mais nítido o sentimento que nos envolve. Que é verdadeiro e que por ser todo nosso - só nosso -, merece o devido respeito. E é por isso que eu escolhi ficar, porque sei que as coisas só estabilizarão junto à você.
Porque as flores agora estão me rodiando mais e o perfume é seu..
Agora aos poucos tudo volta ao seu devido lugar. Porque já sinto quase tudo no lugar.. só é necessário agora, eu me escutar. De dentro para fora. Sem que ninguém diga nada.

Julia Rena

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Anjo Lunar

Talvez tenha sido naquele grande abraço seu, que eu tenha me despido de uma parte da razão, eu pequena como sou me lancei, e logo me encaixei.
Não é sempre que me encaixo fácil assim. As vezes me lanço e me perco. E por ser apenas uma partícula do mundo, as vezes me estremeço, não me envolvo e nem corro, simplesmente por ser uma imensidão tão maior que eu.
Hoje o mundo não me assusta, me tranquiliza, não tenho medo dos abraços apertados, dos beijos com paixão e nem dessa grande imensidão.
Acho que de tanto observar a lua, entendi o que é sentir calma, aprendi que o mistério pode ser bom quando revelado aos poucos, e que as inconstancias se tornam bonitas quando apreciadas de uma forma natural.
Sinto-me hoje com o coração aquecido e resistente, segura, feliz e em harmonia quando olho pra essa linda lua que as vezes também sorri inteiro. E que quando sorri inteiro, é inevitavel não sorrir também, é quando sinto o meu brilho se assemelhar ao dela.
Mas se a lua um dia parasse de sorrir pra mim, eu ainda teria o sol, que também ilumina e me faz suficiente.
Vou encerrar por aqui essa escrita que me apareceu hoje, meu corpo carece por descanço... "E já que da janela do meu quarto não consgio ver a lua, dormirei com ela em meus pensamentos, tenho certeza que isso me fará ter bons sonhos"

Boa noite lua, meu bem, meu anjo.

Júlia Rena

Meio-dia e meio.

Estava sonolenta mas o sol apontava meio-dia. Dia e meio. O céu azul manchado de nuvens acinzentadas, que se escureciam na medida em que os respingos de chuva rarefeita se densificava. A toalha e a roupa branca no varal se molharam depois de secas.  A radio só tocava Jovem Pan e a TV estava sem sinal, sem nenhum canal. Na geladeira tinha arroz mas não tinha feijão e nem ovo. E os livros empoeirados da prateleira apodreciam porque ninguém os lia, e nem curiosidade havia. O chuveiro queimou, a hora do banho atrasou mas a cama me convidou para estender-me sobre o que me conforta, fechar os olhos e acordar quando o sol raiar, quando a chuva acabar. Arco-íris... Será que teria?

Júlia Rena

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Um sopro de vida

Fazer de mim margem do mundo.
Afinal, o que mais fazer de mim, se não doar-me ao que é vivo? Visualizar a vida como uma grande explosão plena, variada e contínua, e visualizar o mundo como as vezes achamos ser a vida, pequena e temporária. E o eu, só como mais uma poeira que aos poucos é levada pelo o vento, que se acumula, se espalha e multiplica.

Júlia Rena

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"À flor da pele"

Transformar meus sentimentos em versos, estrofes e palavras não me da gosto.
Esse pequeno desabrochar de alívio não me conforta, tão ilusório que me faz lembrar o cheiro forte de álcool que queima a garganta.
Ter brilho maior aos olhos, é o meu maior querer, não essa palidez que entristece, esse tom heterogênio, de castanho com cinza. que vira essa cor, cor de bosta.
Não estou com raiva, é que hoje os sentimentos transbordam-me o corpo, por isso a vontade tola de escrever; faço das palavras a minha dose de cachaça.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Nem aí

Tenha amor o suficiente para distribuir tais petálas. Livre-se do seu bom humor se ele não é verdadeiro. Do bom gosto se isso da desgosto. Se desfaça do seu lado crítico, se ele te acorrenta a uma opinião quadrada. Livre-se da lógica se não dá brilho aos olhos, se não deixa cor na boca, se não enfeita o mundo, e seja a incógnita que dança na poça, que canta na chuva, que beija o absurdo. Mande um alô pro outro alguém, e tchau e bênção pra quem não tem.


Júlia Rena